sábado, 13 de dezembro de 2008

Para o seu aniversário

28 menos

Menos tempo perdido com sofrimento sem causa
Menos sofrimento.
Menos gastrite, artrite, artrose
Apenas arte.
Menos chuva, enchente, vendaval e temporal.
Lugar para brisa leve, garoa fina e sol morno
Praia.
Menos peso e mais água.
Menos despesas.
Menos telefone e mais skype.
Escapa.
Menos distância e espaço para o abraço.
Amasso.
Menos fritura e mais suco de fruta.
Menos mercado e mais feira.
Menos dias à toa, perca de tempo.
Mais contato e menos descaso.
Menos acaso, caso consiga planejar.
Mais sorte no caso de precisar.
Menos atraso, mais prazo.

28 vezes menos problemas.
Mais idéias.
Menos dor de dente, cabeça e garganta.
Menos aspirina, dorflex e gastrol.
Menos pressão.
Mais folga.
Menos cala-a-boca e muito mais conversa.
Menos silêncio.
Música.

28 fios de cabelos a menos,
Ao menos que puxe seu pai.
Fios brancos para combinar com seu novo jeito de andar.
Menos carro e mais paisagem.
Passagem para viajar.

Para o seu aniversário mais de tudo e menos um pouco.
Menos mais-ou-menos e mais decisões tomadas.
Acertadas.
Menos tênis, gravata e celular.
Mais do mesmo e do novo.
Muito mais tudo aquilo que você for capaz de sonhar.

Menos os outros.
Mais você.
E um pouco de mim.

Meus parabéns.
Mais.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Das coisas que passam pela cabeça enquanto passa o feriado

Essa nova sensação ainda me causa estranha dúvida
Um não saber se sim, é assim
Ou se não, ainda não.

Os ponteiros do relógio seguem sua corrida diária e me aliviam a saudade. Passou mais um dia. Passou a dor.
Vontade.

Minha vida dividida me cansa e diverte, me faz feliz e melancólica, prática e irracional.
Ainda não me acostumei com os cálculos, com as ordens, com a falta de mim mesma.
- ainda que melhor só do que em minha péssima companhia -

Me irrito com meus excessos e com a imensa covardia. Tua e minha. Mais minha que tua.
Mas vai bem. Tudo muito bem.

---------------

E ontem, depois de falar com a amiga no telefone, lembrou de uma coisa importante:
Ama muito, ainda que distante.
E soltou o riso contido enquanto tomavam a cerveja da madrugada.

---------------

Mundo de gente grande é uma grande sacanagem.

domingo, 12 de outubro de 2008

Tô lá fora


Na falta de tempo, foi viver lá fora.

Lá fora corre o tempo.
E a gente corre para vivê-lo no presente.

domingo, 5 de outubro de 2008

Abre os olhos pra ver



É tanto tombo que a gente leva, tantas vezes que levantamos, tanto curativo, que quando vemos a ferida cicatrizada já nos alarmamos esperando por outra rasteira.
Meu machucado, aberto há anos, foi feito por mim mesma, sem dó.
Cavei tanto, derramei sangue, abri a carne, vi o osso.
Tudo por nada.
Só porque, em um dos tombos da vida, resolvi me manter no buraco, afinal, de lá de baixo fica mais difícil cair outra vez.
Estava certa quanto ao tombo, mas errada quando pensei que lá no fundo, onde tudo é escuro, úmido e vazio, conseguiria acabar de vez com a dor que me causei.
Não é possível curar-se no breu. Para fechar a ferida é preciso sol, ar fresco e água salgada.
E tudo isso junto, logo no início, só faz a dor piorar.
O sol forte e brilhante vai cegando os olhos, o ar fesco parece tão gelado que fere a pele e a água salgada faz arder, mesmo quando o corte é pequeno.
Mas chega um dia que o fundo do poço cansa, e a gente se arma de óculos escuro para encarar a vida lá fora.
Aos poucos vamos acostumando com a claridade, com o vento que vai ficando fresco e com o sal que se torna imperceptível em meio a tanta água.
E aí chega o dia no qual resolvemos pegar as pedras em nossas mãos e arremessá-las para bem longe do nosso caminho.
Nesse dia a estrada fica clara, mesmo na noite, mesmo sem lua.

Minha estrada clareou dia desses. E eu já não podia recusar a viagem.
Não sei nem pra que lado joguei as pedrinhas que catei no caminho. Não quero mais saber.
Mas sei exatamente pra onde vou.
E vou. Sem óculos.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Constatações do fim de semana







* Automóveis: Em carro de dois, banco de trás é porta-malas.
* Competições: Quem faz amigos leva pra casa o troféu de maior valor.
Quem faz intriga perde a medalha e volta mais vazio do que foi.
* Regime: Final de semana fora de casa abaixa a força de vontade e aumenta o
número na balança.
* Livro: Quando a história é muito boa a gente guarda as páginas do final para devorá-las em um momento especial.
* Frio: Umidade e baixa temperatura arrepiam e deixam os nervos à flor da pele.
* Menina chata: É muito chata.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Quem cala ouve.

Acorda ressentida, magoada, fodida e não sabe ao menos explicar tamanha tristeza.
Pega o telefone, disca, espera:
- Alô, você pode me ajudar?
Pode. Sempre.
A voz do lado de lá resolve tudo o que ela não pode aguentar.
Uma injustiça, seja feita justiça.
Mas o que pode fazer senão sucumbir, deixar, permitir.
De vez enquando ela tentava crescer, ser dona do nariz e fazer tudo com as próprias mãos.
Seria uma boa idéia, assim cortava o mal pela raiz.
Mas nunca funcionou. Falhou uma, duas, três.
Fracassou 100, sem chances de vencer.

Aí no meio do fim ela lembra da voz do telefone.
Telefona e escuta o que ela diz.
Sempre firme, afirma que ela é capaz, que o mundo é ruim com todo o mundo, e que seu dia vai chegar quando ela deixar.
Ela se deixa levar.
A voz não mente. Nunca mentiu.
Chora compulsivamente, tentando parecer normal.
Pensa que a voz percebeu, mas ignora para não falar no assunto.
Assume, calar às vezes faz bem.
Aceita acreditar na poesia, no conto que diz: no final fica tudo bem.

Quando fica bem, preocupa-se com a amiga sem rosto do lado oposto.
Porque tratá-la assim? Despejar sem medida toda a dor da ferida que fez em si?
E as dores da voz? Quem ouve suas lamúrias, seus segredos, suas súplicas, seu medo?
Quem a ouve, enfim?
Discou de novo o mesmo número com as pontas dos dedos:
- Alô.
- Só queria dizer que te amo. E você, o que tem pra dizer?

...

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Bolo de abóbora e amendoim



No Quitutes!

Força ou forca

Talvez ela se odeie mais do que pode suportar
E se inventou feliz demais para sustentar.
Mentiu idade, amizade e o jeito de falar.
Vai ver que ela precisa de tempo pra ver se vai
Não se conhece, desconhece esse lugar
Ou então sabe tanto sobre as entranhas que estranha.
Não é possível desligar
Plugada na parede, desce as costas no cimento gelado
Vai escorregando até sentar no chão e chorar.
Já perdeu a conta das lágrimas
Deixou que corressem soltas, escorrendo até lavar
Tinha esperança que a correnteza levasse com ela o nó
Mas ficou tarde, secou e se viu só. Pó.
O rosto arde.
Não se amarra em nada, ao contário, tenta escapar.
Quer viver longe de si mesma, não quer pensar nem estar.

Implora que corram horas.
E que o tempo venha ajudar.
Tempo perdido.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Como foi com nós dois

Antes de casar a gente já era casado.
Fomos três vezes, é verdade.
Naquela vez em que você meio morou em casa, sem roupas.
Nada na mala. Menos no corpo.

Depois quando viajei pra morar com você.
Na nossa casa.
De roupa e guarda-roupa.

E agora, quando colocamos alianças e juramos o que já jurávamos há muito tempo. Vestindo nossas roupas de festa.

Às vezes parece que os dias não passaram.
E que meu cabelo continua trançado.
É que quando a gente se via no corredor eu tinha vontade de correr.
Primeiro de você.
Depois para você.

Mas a gente foi ficando um grudado no outro.
Um livre do outro.
E de tanta liberdade chegou a hora da saudade.
Para matá-la alugamos um lugar.
Lar.
E eu fugi de mim pra você.

E não é que quando a gente se deixa pra trás
Acaba correndo, ansiosa, para alguém.
E de tão esquecida a gente vê nos olhos do outro um desconhecido.

Quando eu cheguei com as caixas bastou te olhar.
Atrás da bola marrom, bem depois da cortina de cílios, no fundo
Lá estava eu.
Onde eu gosto de estar.