terça-feira, 28 de dezembro de 2010
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Eu era eu
Bom foi me ver diferente.
Aceitar que meu gosto muda, tanto quanto o tempo lá fora
Que desisto fácil,
Que enjôo das pessoas.
Entendi que sou mesmo relapsa
Que muitas vezes não faço questão
Mesmo.
E que nada disso me livra do amor.
Aprendi a fazer de graça
Sem cobrar atenção
Não sofro mais
Ou menos
Apenas direciono
Não sinto pena
Mas me culpo pela incapacidade
Pela revolta sem atitude
Pelo meu gosto por ser cada vez mais
muda.
Bom mesmo foi me descobrir
Sem graça
Do mesmo jeito que fui aos 17
O jeito que gostei de ser.
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
A maldição do amigo secreto.
Você já teve sorte em amigo secreto?
Então provavelmente você foi tirada por um azarado como eu.
Sim, somos uma espécie.
Um tipo que se esforça, pensa no presente alheio, sai por aí procurando alguma coisa que faça diferença, leva em conta o jeito da pessoa, pesquisa, colhe informações, tudo pra tentar acertar e deixar o amigo secreto feliz.
Pessoas que levam a sério a brincadeira.
Eu e mais uma meia dúzia de gente somos assim.
E eu e essa meia dúzia de gente somos justamente aquelas que sempre ganham o pior presente.
O pior presente nem sempre é horroroso, mas é aquele tipo que não tem nada, mas nada mesmo, a ver com você.
Aquela coisa que te deixa com cara de paisagem e que bloqueia qualquer reação que você possa ter.
Nem o melhor dos atores consegue disfarçar e expressar alguma satisfação.
Pense bem, certa vez eu ganhei um coelho no amigo secreto.
Não um coelho de pelúcia, nem de brinquedo.
Um coelho de verdade, vivinho da silva.
De olhos vermelhos e pelos branquinhos.
Um coelho que cagava bolinhas pretas por toda a casa.
E o que é que se pode fazer com um coelho?
Abandonar? Comer? Criar?
Depois do coelho morto (não matei, ele morreu por conta própria) ganhei uma coisa que até hoje não sei pra que servia.
Era uma lata com uns furinhos que imediatamente eu pensei ser um cofrinho, mas não era. Só se era um cofre de outro país, um país onde a moeda fosse consideravelmente menor que a nossa.
Enfim, era uma lata esburacada, que também não era um desses cinzeiros semi-modernos, mas foi justamente isso que ela virou.
Uma outra vez ganhei nada.
Nadica de nada.
Simplesmente o menino que me tirou esqueceu de comprar o presente.
Aí nesse caso o pior é a cara das outras pessoas, morrendo de dó.
Mas ganhar nada ainda é melhor que ganhar coisas que não servem pra nada.
Aí consegui ficar alguns anos livre dessa paranóia que assombra Dezembro.
Isso até hoje.
Meu amigo secreto tá dentro do meu bolso, bem amassado, e minha cabeça já começou a procurar alguma coisa interessante que custe até 40 reais.
Sim, porque amigo secreto tem disso, média de preço!
Tem gente que não sabe guardar segredo e conta quem tirou.
Gente que faz discurso.
Amigo secreto tem cada coisa que peloamordedeus.
Enfim, será que eu e minha meia dúzia de amigos amaldiçoados por essa brincadeira algum dia seremos compensados?
É o que veremos.
O que eu verei e contarei aqui muito em breve.
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Bichano
Há dias em que sou um bicho
E me esticando feito um gato
Encosto meus pêlos no seu braço
Pra que me tome nas mãos
Me alimente
Me faça calma
Me dê cama
Banho de língua
E um copo de leite.
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
27
Eu faço 27 anos amanhã.
E neste ano ganhei tanta coisa que só me falta praia, um bronzeado de leve, uma noite de jogatina e um show de rock de molhar a camiseta.
O resto tenho.
Tive.
Uma casa pra chamar de nossa,
Um emprego pra chamar de meu.
Dezenas de amigos.
Três famílias.
Sono.
Mais paciência.
Fui madrinha de casamento.
Sou madrinha da Julia.
Cozinhei.
Dancei diversas noites, entre o sofá e a TV, enquanto ele me assistia com a mesma empolgação de anos atrás.
Tive certeza.
Do nosso amor,
De dias melhores,
Das minhas escolhas,
De cada cor,
De como usar o cabelo.
Ganhei sorteio
E não perdi quase nada.
Faço 27 anos amanhã
E não vejo a hora!
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Eu sou sua
Eu posso ser do jeito que você me quer
É só colocar sua mão gigante
No meio das minhas costas
E dedilhar todas vértebras da minha coluna
Uma a uma
Até amolecer minhas pernas
E então me entrego do jeito que quiser
Basta chegar bem perto
Na minha orelha esquerda
E me lembrar do que sou
Sua pequena
Tão miúda
No infinito do seu amor.
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Imaginação
Minha cabeça borbulha
Idéias
Temas
Textos
Paisagens
Música
Vento
Eu
Você
Água salgada
Sol
Planos
Rascunho
Sentidos
E fim.
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Desculpa esfarrapada
Pra você me perdoar te dou meu chocolate escondido no fundo do armário,
Minhas músicas e tudo o que elas significam
Te dou cada letra do mundo de textos que escrevo
Dedico o som de um riso difícil
Garanto um molho cheio de sabor pro seu macarrão de Sábado
Pra que me perdoe não me importo que ligue o ar condicionado
Assisto ao tiroteio que passa tarde da noite na TV
Diminuo o ritmo
Permaneço em silêncio pelo tempo suficiente
Não grito nem xingo,
Se você me perdoar.
Te entrego minha nuca, minhas costelas e tornozelo
Todo o ar
Um suspiro
Em troca daquele espaço no seu peito
Onde só encaixa minha cabeça oca
No meio da madrugada
Depois da gente brigar.
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Sem riso.
Era uma menina que não ria
Não via graça
Desgraça,
Achava forçada qualquer gargalhada
No escuro do cinema.
Era uma menina com vergonha de ser triste
Que achava cinza o colorido dos outros
E pra disfarçar
Fazia de conta que tinha vontade de rir
E sem mostrar os dentes rasgava a boca de fora a fora
Rápido, mas não sem dor
Depois de uma piada mal contada.
Era uma menina que não ria
Quase nunca
Às vezes explodia
E sem saber o motivo
Se contorcia no chão
Gargalhando de alguma coisa sem graça
Até a barriga doer tanto
Que de tanto ela chorava.
Era uma menina com vergonha de ser triste
Que de tanto chorar
Assumiu que se entendia melhor com as lágrimas
Que com os dentes.
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