Eu gosto mesmo é do cheiro da terra molhada que invade aos poucos os cômodos do apartamento, assim fresco, lembrando a gente de olhar pra fora, de sentir o tempo.
Gosto de pensar que um dia ainda volto na velha casa, e me sento em meio às plantas do nosso jardim só pra enfiar os dedos na terra vermelha, encardindo as unhas de um marrom infantil, segurando na ponta dos dedos o tatu bola que morava ali, ouvindo o barulho dos outros enquanto escutava meu próprio silêncio.
Eu queria mesmo é achar mais um tesouro daqueles, só mais um. Do tipo que encontrava no meio da grama, perdido por mim uma semana atrás, tão esquecido que quando aparecia denovo em minhas mãos eu tinha a indescritível sensação da descoberta.
Ainda que distante, longe daquele tempo em que as horas custavam passar, eu me contento com o cheiro.
Aquele perfume que fez a noite de ontem me abraçar.
quinta-feira, 22 de Outubro de 2009
quarta-feira, 21 de Outubro de 2009
Amanhecer
De manhã a gente se enrosca no nosso bom dia e acaba atrasado para o trabalho,
E é bem naquele instante que eu me lembro do motivo
Das razões para estarmos ali, um deitado ao lado do outro
Gastando o tempo ao nosso favor
Combinando a rotina desejateitada que tentamos endireitar para o nosso próprio bem
É ali que eu encho os pulmões de amor
E refresco de ar o coração em chamas
Pra passar mais umas horas sem te ver
Esperando a gente se encontrar
Pra te contar o que fiz
E o que quero fazer depois que a gente deitar
De manhã a gente ganha tempo pra perder logo depois
E entrega um tanto de nós mesmos
Pra impregnar o outro de paz
De sossego.
Amanhã é outra manhã de nós dois,
Por hoje boa noite.
E é bem naquele instante que eu me lembro do motivo
Das razões para estarmos ali, um deitado ao lado do outro
Gastando o tempo ao nosso favor
Combinando a rotina desejateitada que tentamos endireitar para o nosso próprio bem
É ali que eu encho os pulmões de amor
E refresco de ar o coração em chamas
Pra passar mais umas horas sem te ver
Esperando a gente se encontrar
Pra te contar o que fiz
E o que quero fazer depois que a gente deitar
De manhã a gente ganha tempo pra perder logo depois
E entrega um tanto de nós mesmos
Pra impregnar o outro de paz
De sossego.
Amanhã é outra manhã de nós dois,
Por hoje boa noite.
terça-feira, 6 de Outubro de 2009
Lê: Mudada
Quando a gente muda é quase ano-novo
Mas é melhor, porque a mudança acontece do lado de fora antes que a gente desista por dentro
E depois de virar a vida de ponta cabeça resta apenas colocar de pé tudo o que ficou combinado
Ou então a gente descombina tudo aquilo porque depois de trocar de lado, o planejado fica meio sem sentido
E a coisa toda flui sem que a gente use muita força
Quando a gente muda é uma festa
Que acaba quando a gente reconhece no novo o habitual
Ou às vezes um pouco cedo demais, quando o dinheiro some antes que a gente trabalhe outra vez
O que era velho recebe uma importancia estranha
E a novidade chega sem bater na porata da casa onde moro agora
É preciso organizar-se, mas a vontade é mesmo esculhambar.
Pra fazer diferente.
Quando a gente muda trás um tanto de coisa inútil
Aquelas que não temos coragem de jogar fora
Coisas que são só coisas
E que diante de tanta reviravolta ficam sem lugar.
Quando isso acontece de verdade é fácil estranhar-se, esquecer-se
Mas também acontece da gente se admirar
E eu estou aqui, enlouquecida comigo mesma.
Mudada do vinho pra água.
Mas é melhor, porque a mudança acontece do lado de fora antes que a gente desista por dentro
E depois de virar a vida de ponta cabeça resta apenas colocar de pé tudo o que ficou combinado
Ou então a gente descombina tudo aquilo porque depois de trocar de lado, o planejado fica meio sem sentido
E a coisa toda flui sem que a gente use muita força
Quando a gente muda é uma festa
Que acaba quando a gente reconhece no novo o habitual
Ou às vezes um pouco cedo demais, quando o dinheiro some antes que a gente trabalhe outra vez
O que era velho recebe uma importancia estranha
E a novidade chega sem bater na porata da casa onde moro agora
É preciso organizar-se, mas a vontade é mesmo esculhambar.
Pra fazer diferente.
Quando a gente muda trás um tanto de coisa inútil
Aquelas que não temos coragem de jogar fora
Coisas que são só coisas
E que diante de tanta reviravolta ficam sem lugar.
Quando isso acontece de verdade é fácil estranhar-se, esquecer-se
Mas também acontece da gente se admirar
E eu estou aqui, enlouquecida comigo mesma.
Mudada do vinho pra água.
sexta-feira, 25 de Setembro de 2009
Franciéle

Ela é assim mesmo, com acento, aguda.
Fran não é só uma menina cheia de porquês
É também uma mulher de respostas confusas
Um gigante de 17 anos e 1,67m de altura
Um furacão.
Franciéle é a melhor amiga que fiz aqui
Mesmo que às vezes a gente fique tão distante
Separadas pelos muitos números que existem entre nós
A grande menina é capaz de entender gestos, ler olhares e decifrar palavras soltas
E se faz entender facilmente por suas sobrancelhas inquietas e seu bico revelador.
Ela é linda. De todos os ângulos.
E vai ser mais, eu sei.
Vai daqui para a Itália, conhecer, viajar
Executar seu plano feliz.
Fran se mija de rir.
E ri de mijar.
E a gente ri com ela porque ela não dá outra opção.
Franciéle é minha alegria das 13:00h às 21:00h, todos os dias.
E agora que mais uns números, dessa vez em quilômetros, vão nos separar
Eu sinto um aperto no peito, um começo de saudade
Mas sei que levo dela sua melhor parte
O pedaço que fez de mim uma adulta mais leve,
Seu ar de juventude, seu cheiro de frescor
Sua vontade de ser e crescer.
----------------------------
Eu vou me "afinar" sempre que lembrar.
E vou me lembrar sempre.
domingo, 23 de Agosto de 2009
Leia a bula
- É preciso ir ao médico.
Eu concordei de imediato já que 15 dias de gripe em tempos suínos são motivos de sobra pra visitar o doutor.
Mas eu não conheço um. Não sou daqui, nunca fui e logo deixarei pra trás o pouco que tentei.
Ele também não sabe de ninguém.
Mas a gente tem juntos, na gaveta embaixo da TV, um guia do plano de saúde.
Ele se irritou logo na primeira tentativa, é que neste mês não podiam me ver e no mês que vem eu é que não sei.
Eu insisti antes que meu nariz derretesse e sumisse em meio às bolas de papel espalhadas por toda a casa.
Consegui na primeira. Estava salva.
Às 10 e 15 fui me consultar.
Logo de cara vi duas paredes enormes repletas de diplomas, certificados e frases que faziam do meu médico o cara certo para os meus problemas.
Na parede que sobrava tinha Jesus, e eu que gosto do Cara fiquei feliz e surpresa que o doutor também simpatizasse.
No balcão tinha um gnomo, um anjo, um sabonete Ing Yang e uma mini fonte ligada à tomada que jorrava água sem parar.
O barulho me irritou, mas sabendo que esse efeito era indesejado fechei os olhos e fingi mergulhar.
Na mesa tinha Nossa Senhora, apostilas do Kumon, e dicionário médico.
Ele anotava tudo o que eu dizia numa folha arrancada de um caderno brochura de tamanho pequeno.
Me prescreveu dois remédios. E disse que eu já estava sarando.
O primeiro que tomei foi bem aceito.
O segundo me deu taquicardia por uma noite e meia manhã.
Suspendi por conta pra evitar os riscos.
Minha cabeça não dói mais e meu nariz continua escorrendo feito aquela fonte irritante do consultório médico.
Já arranquei dele toda a pele superficial e bem na ponta ele esfarela tal como o rosto daquelas peruas que passam por tratamento estético.
Sigo rezando, dando maçã pro gnomo, me entupindo de comprimidos e rindo de minha própria tristeza.
E eu que só queria um domingo de sabor e cheiro enfio goela a dentro um chá com gosto de água morna.
Eu concordei de imediato já que 15 dias de gripe em tempos suínos são motivos de sobra pra visitar o doutor.
Mas eu não conheço um. Não sou daqui, nunca fui e logo deixarei pra trás o pouco que tentei.
Ele também não sabe de ninguém.
Mas a gente tem juntos, na gaveta embaixo da TV, um guia do plano de saúde.
Ele se irritou logo na primeira tentativa, é que neste mês não podiam me ver e no mês que vem eu é que não sei.
Eu insisti antes que meu nariz derretesse e sumisse em meio às bolas de papel espalhadas por toda a casa.
Consegui na primeira. Estava salva.
Às 10 e 15 fui me consultar.
Logo de cara vi duas paredes enormes repletas de diplomas, certificados e frases que faziam do meu médico o cara certo para os meus problemas.
Na parede que sobrava tinha Jesus, e eu que gosto do Cara fiquei feliz e surpresa que o doutor também simpatizasse.
No balcão tinha um gnomo, um anjo, um sabonete Ing Yang e uma mini fonte ligada à tomada que jorrava água sem parar.
O barulho me irritou, mas sabendo que esse efeito era indesejado fechei os olhos e fingi mergulhar.
Na mesa tinha Nossa Senhora, apostilas do Kumon, e dicionário médico.
Ele anotava tudo o que eu dizia numa folha arrancada de um caderno brochura de tamanho pequeno.
Me prescreveu dois remédios. E disse que eu já estava sarando.
O primeiro que tomei foi bem aceito.
O segundo me deu taquicardia por uma noite e meia manhã.
Suspendi por conta pra evitar os riscos.
Minha cabeça não dói mais e meu nariz continua escorrendo feito aquela fonte irritante do consultório médico.
Já arranquei dele toda a pele superficial e bem na ponta ele esfarela tal como o rosto daquelas peruas que passam por tratamento estético.
Sigo rezando, dando maçã pro gnomo, me entupindo de comprimidos e rindo de minha própria tristeza.
E eu que só queria um domingo de sabor e cheiro enfio goela a dentro um chá com gosto de água morna.
domingo, 16 de Agosto de 2009
No meio tempo
Falta tão pouco tempo
E enquanto falta ela organiza o que resta
Se enche de tarefas
E, surpresa, é capaz de cumpri-las
Agora tem prazos, cumpre horários, negocia e faz hora extra
Vai ver que é assim, ela pensa enquanto trabalha
Vai ver que no mundo das pessoas grandes pra ser grande é preciso encurtar o tempo
Cresce mais quem estica melhor
Quem consegue arrumar espaço pra mais um não sei o quê no meio de tanto vai saber.
Ela luta todo dia contra a preguiça
E se assusta
Porque antes, quando não era preciso
Ela era a primeira a despertar, levantava inteira, elétrica às 8 da manhã
Irritava
Atrapalhava o sono de todos os outros
Só pensava em acordar, estar em pé, respirar, sentir, amar, comer e viver
Entendia tudo que seu tio Beto ensinou sobre levantar cedo nas férias
Afinal só é possível aproveitar quando estamos de olhos abertos.
Mas agora é tudo diferente
Ela quer cama e chá quente
Vive procurando por silêncio
Implorando por mais cinco minutos de sonho.
Mas ela vence, quase todos os dias
E quando perde se convence de que assim era melhor.
Não esqueceu ainda a mania de ver o lado bom das coisas
E torce, de verdade, pra que isso não se perca
Pra que continue firme na decisão de ser otimista
Que continue vendo cordeiro no meio dos lobos
Porque se assim não é fácil imagine então como seria se ela colocasse mais vezes os óculos
Ela sabe que não iria suportar, e numa tentativa burra de esconder tudo o que já sabe deixa as lentes no sofá
Pra ver nítido só a novela
Falta tempo, pouco tempo
Mas ela ainda é ansiosa
E anseia que isso um dia passe.
E enquanto falta ela organiza o que resta
Se enche de tarefas
E, surpresa, é capaz de cumpri-las
Agora tem prazos, cumpre horários, negocia e faz hora extra
Vai ver que é assim, ela pensa enquanto trabalha
Vai ver que no mundo das pessoas grandes pra ser grande é preciso encurtar o tempo
Cresce mais quem estica melhor
Quem consegue arrumar espaço pra mais um não sei o quê no meio de tanto vai saber.
Ela luta todo dia contra a preguiça
E se assusta
Porque antes, quando não era preciso
Ela era a primeira a despertar, levantava inteira, elétrica às 8 da manhã
Irritava
Atrapalhava o sono de todos os outros
Só pensava em acordar, estar em pé, respirar, sentir, amar, comer e viver
Entendia tudo que seu tio Beto ensinou sobre levantar cedo nas férias
Afinal só é possível aproveitar quando estamos de olhos abertos.
Mas agora é tudo diferente
Ela quer cama e chá quente
Vive procurando por silêncio
Implorando por mais cinco minutos de sonho.
Mas ela vence, quase todos os dias
E quando perde se convence de que assim era melhor.
Não esqueceu ainda a mania de ver o lado bom das coisas
E torce, de verdade, pra que isso não se perca
Pra que continue firme na decisão de ser otimista
Que continue vendo cordeiro no meio dos lobos
Porque se assim não é fácil imagine então como seria se ela colocasse mais vezes os óculos
Ela sabe que não iria suportar, e numa tentativa burra de esconder tudo o que já sabe deixa as lentes no sofá
Pra ver nítido só a novela
Falta tempo, pouco tempo
Mas ela ainda é ansiosa
E anseia que isso um dia passe.
quarta-feira, 5 de Agosto de 2009
A volta
Era um amor escondido,
Ela dizia isso pra não revelar a verdade
E magoar o pobre com a dura e cruel realidade:
Esquecido.
Colocou aquele sentimento na gaveta, logo depois que terminaram
Não se viram mais, nunca mais.
E ela fez questão de odiá-lo
Arrumou outro, muito pior, ela sabia
Mas fazia de conta em seu conto
Que era feliz
Pobre infeliz.
E ficou assim, de mãos dadas com o caso do acaso
Tolerando aquilo tudo por um longo tempo
Precisava de um resgate
E mandou mensagem, um SOS, um sinal, um aviso
até ser socorrida pelo ex.
Ele voltou, recebeu a pequena em seu colo
Despertou nela o amor que dormia
E ela se viu interessada,
Apaixonada só pode fazer uma coisa:
Abraçou.
Estão unidos,
Ele e ela como nunca foram
E ela já anda declarando por aí o amor
Porque já tem um caso sério
Ela e a publicidade
Ela dizia isso pra não revelar a verdade
E magoar o pobre com a dura e cruel realidade:
Esquecido.
Colocou aquele sentimento na gaveta, logo depois que terminaram
Não se viram mais, nunca mais.
E ela fez questão de odiá-lo
Arrumou outro, muito pior, ela sabia
Mas fazia de conta em seu conto
Que era feliz
Pobre infeliz.
E ficou assim, de mãos dadas com o caso do acaso
Tolerando aquilo tudo por um longo tempo
Precisava de um resgate
E mandou mensagem, um SOS, um sinal, um aviso
até ser socorrida pelo ex.
Ele voltou, recebeu a pequena em seu colo
Despertou nela o amor que dormia
E ela se viu interessada,
Apaixonada só pode fazer uma coisa:
Abraçou.
Estão unidos,
Ele e ela como nunca foram
E ela já anda declarando por aí o amor
Porque já tem um caso sério
Ela e a publicidade
sexta-feira, 24 de Julho de 2009
Tia Cacilda
Durante a semana, depois das aulas, esperava ansiosamente que a mãe a levasse para uma tarde feliz na casa da tia Cacilda.
Quando a mãe cedia ela procurava nos armários de sua casa qualquer enlatado ou um punhado de batatas para levar consigo, esquecia as barbies e os jogos e implorava para a mãe que passassem antes no super mercado pra ela comprar ingredientes para a tarde no fogão.
A mãe, sempre carinhosa, acompanhava a filha entre as prateleiras e escolhia com ela coisas fáceis de preparar: milho-verde em conserva, tomate fresco, salsicha, leite condensado e afins.
Despediam-se em frente ao portãozinho e tia Cacilda já ia logo carregando as sacolas da menina e elaborando com ela o cardápio do dia.
Juntas elas montavam um fogão de tijolos no pequeno quintal, a tia acendia o fogo e alertava a menina pra que ela não se queimasse, trazia da cozinha as panelas mais velhas, todas com a tampa errada, e faziam todo o tipo de comida que a imaginação permitisse.
A menina adorava aquilo, preparava tudo com o maior cuidado, provava, mais uma vez, outra, acertava o sal, media a água para o arroz.
A tia, econômica que só, juntava as cascas da batata e depois as fritava em óleo quente, a menina gulosa achava aquilo uma delícia!
Gostava também da maria-mole, do arroz com molho de tomate, da banana frita, do bolo de fubá e da pipoca no fim da tarde.
Antes que a mãe voltasse para buscá-la, tia Cacilda colocava a menina encardida embaixo do chuveiro, esfregava bem os pés vermelhos com a escovinha que fazia cócegas, e entregava a pequena cozinheira assim como ela havia chegado.
No caminho pra casa a menina contava tudo pra mãe, e pedia pra ir denovo no dia seguinte.
Um dia o dia seguinte ficou longe, e a menina cresceu, comprou suas próprias panelas e cozinhava sempre feliz em cima do fogão de verdade.
Mas o tempo voou e não deu tempo.
Ela se ocupou de tanto que só agora sentiu o quanto deveria ter feito um bolo pra aquela tia.
Mas ainda que não seja possível voltar atrás, ela lembra sempre daquelas tardes felizes em volta do fogo no quintal.
E vai mandando sinal de fumaça enquanto prepara o almoço de domingo.
Quando a mãe cedia ela procurava nos armários de sua casa qualquer enlatado ou um punhado de batatas para levar consigo, esquecia as barbies e os jogos e implorava para a mãe que passassem antes no super mercado pra ela comprar ingredientes para a tarde no fogão.
A mãe, sempre carinhosa, acompanhava a filha entre as prateleiras e escolhia com ela coisas fáceis de preparar: milho-verde em conserva, tomate fresco, salsicha, leite condensado e afins.
Despediam-se em frente ao portãozinho e tia Cacilda já ia logo carregando as sacolas da menina e elaborando com ela o cardápio do dia.
Juntas elas montavam um fogão de tijolos no pequeno quintal, a tia acendia o fogo e alertava a menina pra que ela não se queimasse, trazia da cozinha as panelas mais velhas, todas com a tampa errada, e faziam todo o tipo de comida que a imaginação permitisse.
A menina adorava aquilo, preparava tudo com o maior cuidado, provava, mais uma vez, outra, acertava o sal, media a água para o arroz.
A tia, econômica que só, juntava as cascas da batata e depois as fritava em óleo quente, a menina gulosa achava aquilo uma delícia!
Gostava também da maria-mole, do arroz com molho de tomate, da banana frita, do bolo de fubá e da pipoca no fim da tarde.
Antes que a mãe voltasse para buscá-la, tia Cacilda colocava a menina encardida embaixo do chuveiro, esfregava bem os pés vermelhos com a escovinha que fazia cócegas, e entregava a pequena cozinheira assim como ela havia chegado.
No caminho pra casa a menina contava tudo pra mãe, e pedia pra ir denovo no dia seguinte.
Um dia o dia seguinte ficou longe, e a menina cresceu, comprou suas próprias panelas e cozinhava sempre feliz em cima do fogão de verdade.
Mas o tempo voou e não deu tempo.
Ela se ocupou de tanto que só agora sentiu o quanto deveria ter feito um bolo pra aquela tia.
Mas ainda que não seja possível voltar atrás, ela lembra sempre daquelas tardes felizes em volta do fogo no quintal.
E vai mandando sinal de fumaça enquanto prepara o almoço de domingo.
terça-feira, 14 de Julho de 2009
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