sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Eu era eu

Bom foi me ver diferente.
Aceitar que meu gosto muda, tanto quanto o tempo lá fora
Que desisto fácil,
Que enjôo das pessoas.
Entendi que sou mesmo relapsa
Que muitas vezes não faço questão
Mesmo.
E que nada disso me livra do amor.
Aprendi a fazer de graça
Sem cobrar atenção
Não sofro mais
Ou menos
Apenas direciono
Não sinto pena
Mas me culpo pela incapacidade
Pela revolta sem atitude
Pelo meu gosto por ser cada vez mais
muda.

Bom mesmo foi me descobrir
Sem graça
Do mesmo jeito que fui aos 17
O jeito que gostei de ser.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

A maldição do amigo secreto.

Você já teve sorte em amigo secreto?
Então provavelmente você foi tirada por um azarado como eu.
Sim, somos uma espécie.
Um tipo que se esforça, pensa no presente alheio, sai por aí procurando alguma coisa que faça diferença, leva em conta o jeito da pessoa, pesquisa, colhe informações, tudo pra tentar acertar e deixar o amigo secreto feliz.
Pessoas que levam a sério a brincadeira.
Eu e mais uma meia dúzia de gente somos assim.
E eu e essa meia dúzia de gente somos justamente aquelas que sempre ganham o pior presente.
O pior presente nem sempre é horroroso, mas é aquele tipo que não tem nada, mas nada mesmo, a ver com você.
Aquela coisa que te deixa com cara de paisagem e que bloqueia qualquer reação que você possa ter.
Nem o melhor dos atores consegue disfarçar e expressar alguma satisfação.
Pense bem, certa vez eu ganhei um coelho no amigo secreto.
Não um coelho de pelúcia, nem de brinquedo.
Um coelho de verdade, vivinho da silva.
De olhos vermelhos e pelos branquinhos.
Um coelho que cagava bolinhas pretas por toda a casa.
E o que é que se pode fazer com um coelho?
Abandonar? Comer? Criar?
Depois do coelho morto (não matei, ele morreu por conta própria) ganhei uma coisa que até hoje não sei pra que servia.
Era uma lata com uns furinhos que imediatamente eu pensei ser um cofrinho, mas não era. Só se era um cofre de outro país, um país onde a moeda fosse consideravelmente menor que a nossa.
Enfim, era uma lata esburacada, que também não era um desses cinzeiros semi-modernos, mas foi justamente isso que ela virou.
Uma outra vez ganhei nada.
Nadica de nada.
Simplesmente o menino que me tirou esqueceu de comprar o presente.
Aí nesse caso o pior é a cara das outras pessoas, morrendo de dó.
Mas ganhar nada ainda é melhor que ganhar coisas que não servem pra nada.
Aí consegui ficar alguns anos livre dessa paranóia que assombra Dezembro.
Isso até hoje.
Meu amigo secreto tá dentro do meu bolso, bem amassado, e minha cabeça já começou a procurar alguma coisa interessante que custe até 40 reais.
Sim, porque amigo secreto tem disso, média de preço!
Tem gente que não sabe guardar segredo e conta quem tirou.
Gente que faz discurso.
Amigo secreto tem cada coisa que peloamordedeus.
Enfim, será que eu e minha meia dúzia de amigos amaldiçoados por essa brincadeira algum dia seremos compensados?
É o que veremos.
O que eu verei e contarei aqui muito em breve.