domingo, 5 de outubro de 2008

Abre os olhos pra ver



É tanto tombo que a gente leva, tantas vezes que levantamos, tanto curativo, que quando vemos a ferida cicatrizada já nos alarmamos esperando por outra rasteira.
Meu machucado, aberto há anos, foi feito por mim mesma, sem dó.
Cavei tanto, derramei sangue, abri a carne, vi o osso.
Tudo por nada.
Só porque, em um dos tombos da vida, resolvi me manter no buraco, afinal, de lá de baixo fica mais difícil cair outra vez.
Estava certa quanto ao tombo, mas errada quando pensei que lá no fundo, onde tudo é escuro, úmido e vazio, conseguiria acabar de vez com a dor que me causei.
Não é possível curar-se no breu. Para fechar a ferida é preciso sol, ar fresco e água salgada.
E tudo isso junto, logo no início, só faz a dor piorar.
O sol forte e brilhante vai cegando os olhos, o ar fesco parece tão gelado que fere a pele e a água salgada faz arder, mesmo quando o corte é pequeno.
Mas chega um dia que o fundo do poço cansa, e a gente se arma de óculos escuro para encarar a vida lá fora.
Aos poucos vamos acostumando com a claridade, com o vento que vai ficando fresco e com o sal que se torna imperceptível em meio a tanta água.
E aí chega o dia no qual resolvemos pegar as pedras em nossas mãos e arremessá-las para bem longe do nosso caminho.
Nesse dia a estrada fica clara, mesmo na noite, mesmo sem lua.

Minha estrada clareou dia desses. E eu já não podia recusar a viagem.
Não sei nem pra que lado joguei as pedrinhas que catei no caminho. Não quero mais saber.
Mas sei exatamente pra onde vou.
E vou. Sem óculos.

3 comentários:

disse...

"vai viver, vai sorrir, vai vingar"
:)
amei o email! qnta notícia.
amo vc Lezinha linda

.Ná. disse...

Importante é saber o que se quer fazer.. e não deixar que o óculos tire o brilho do sol! Beijos

My disse...

Que lindoooooooO!
Amei o texto!
Vou ter que colocar no meu blog também, entendo bem o significado!
Passando na pele por isso! rs!
=D

Morro de saudade de você!
Te amo tanto que até doí!

Beijossss