quarta-feira, 9 de julho de 2008

Das perdas no caminho



Voltava do mercado carregada de sacolas: leite condensado, ovos, erva-doce, vinho tinto e Juno.
As crianças acabavam de sair do colégio e estavam amontoadas na calçada.
Ela parou em frente a faixa de pedestre, esperou sinal verde e desceu do meio-fio rumo ao outro lado da rua.
No meio do caminho, entre um passo e outro, a sapatilha do pé direito resolveu voar. Saiu sem nenhum aviso, subiu à altura de sua cabeça e foi parar no lado de lá.
Enquanto o rosto dela ficava vermelho, o menino de uniforme gritou:
- Olha!!! A mulher perdeu o sapato!
E caiu na gargalhada junto com os colegas.
Ela olhou para o chão, enfiou o pé no sapato e seguiu andando, pensando na frase do garoto.
Não perdera só o sapato.

Onde foi que deixou de ser a menina e virou a mulher sujeito da frase?

3 comentários:

Lydia disse...

E o tempo está passando tão rápido, ao ponto de não sabermos onde paramos.
Ser adulto é tão difícil. Por quê?
Beijão!

amända. disse...

às vezes me pergunto em que momento eu virei o "senhora".
sabe. pra mim, senhora é minha vó, no alto dos seus 86 anos.
eu nao sou senhora. acho que jamais vou ser.

prefiro a 'moça'.
ou a 'tia' das amigas da luana.


e ai, juno é lindo.
acho que voce vai gostar.
não é O filme, mas é agradavel. suave. fresco.

;***

disse...

eu também não sei exatamente quando foi.
Mas acho engraçado quando algum PIRRALHO me chama de mulher ou algum sinônimo que indique pessoa adulta, tipo: tia. Tia é de fod.r
saudade do c. menina
:)
bom ouvir tua voz!