segunda-feira, 24 de março de 2008

Qual é a graça

Deu um sopro ligeiro, espantando o incômodo do ar.
Tentou arrancar dos ombros a tonelada e meia que repousava ali desde o começo da tarde.
Já é tarde, e tudo que conseguiu foi livrar-se da meia.
Tonelada e meia que sufocava os pés.
Nunca gostou daquilo preso no tornozelo, preferia os dedos livres, sentindo o chão frio com a sola encardida.
Estava ardida. Estranhando o corpo e o gosto amargo na boca. Que coisa louca.
Pensando onde é que perdeu as estribeiras. Não sabe. Nem vai procurar.
Vai tentar se esticar no sofá, fingindo relaxamento enquanto infla o diafragma. E depois murcha até sentir nas costas o umbigo.
Quem sabe se não tivesse que esperar... Ai então seria tudo mais fácil, tudo no seu tempo, sem tempo pra nada, sua impaciencia vencida pela velocidade, e a vida acontecendo na rapidez do seu pensamento.
Uma descarga, pra levar embora a cara enfezada.
Um descarrego, pra tirar dela essa pessoa chata que vez ou outra aparece estragando tudo.
Sem graça.

2 comentários:

Fernanda disse...

isso é por conta da festa?!
vc é mais uma noiva louca em minha vida?
esse negócio é assim mesmo né
uma loucura
só que Boa!
:)
um beijo
te amo Lê

Fernanda disse...

que dia vc vem?