quarta-feira, 18 de junho de 2008

Ballet e Corrida

Quando eu era criança, antes de fazer 8 anos, meu sonho era fazer ballet. A maior parte das minhas amigas eram "bailarinas", e voltavam da aula vestindo collant e sapatilhas rosa. Eu também queria, mas minha mãe nunca deixou.

- Você não vai gostar disso menina! Pensa que vai chegar lá e sair dançando? Tem que ficar horas fazendo exercícios de barra, alongamento e um monte de coisas que você não vai gostar! Eu te conheço Leticia!

E eu, inconsolável, me trancava no quarto em prantos e fazia exercícios de barra apoiada na cabeceira da cama. Eu gostava sim! Ora bolas!
Um dia, minha mãe foi pra Curitiba fazer um curso do banco, e eu fiquei com meu pai. Meu pai sempre foi da opinião de que a gente deve fazer tudo o que quiser sem se importar com a opinião dos outros. Me aproveitei da siuação.
A noite, quando minha mãe ligou em casa pra ver se estava tudo bem, eu tinha uma notícia para dar:

- Mãe, o pai me matriculou no ballet! - era impossível esconder tamanha satisfação.
- É filha... - Minha mãe desapontada fez de conta que gostou.
- É, e eu já tenho collant, meia calça, sapatilha, redinha, faixa e sainha. Tudo rosa!
- Ah! Que lindo querida, muito bonito.

Passei umas 3 semanas correndo pela casa vestida de bailarina. Depois da primeira apresentação, uma dança ridícula com uma música infantil, eu desisti. E pra falar a verdade só resisti até esse dia para não dar o braço a torcer, os exercícios eram muito chatos e eu estava longe de calçar as sapatilhas de ponta e dançar o Lago dos Cisnes. Essa foi a primeira vez que vi minha mãe com aquela cara que eu bem conheço de "não falei?".

Quando eu era pré-adolescente e tinha menos de 15 anos, quis fazer Jazz. Minha mãe não se opôs, era melhor jazz do que minhas tardes desperdiçadas na rua com os meninos que andavam de skate. A aula era tudo de mais legal na vida, na primeira turma que frenquentei eram só eu minha prima Carola. Depois fui para o SESC, e aí sim tinha um grupo de dança. Me apresentei umas 7 vezes com a mesma coreografia, a música era Rio 40 graus, da insuportável Fernanda Abreu. Quando a professora resolveu trocar a coreografia eu resolvi cair fora. Já estava velha demais pra tudo aquilo. Depois disso passei um mês no Karatê. Mas nem vale a pena contar.

Quando eu era adolescente não perguntava mais a opinião da minha mãe e fui fazer capoeira. Aquilo sim era legal! Passava as tardes me quebrando pra tentar fazer saltos e chutes, sem contar no berimbau que eu PRECISAVA aprender a tocar! Parecia que tinha nascido escrava e meus antepassados eram todos mestres de capoeira. Me enfiava nas rodas, chamava todos pra fazer aulas, baixava música de capoeira na internet pra aprender a letra, saía 40 minutos antes do treino só pra dar tempo de passear na cidade vestindo abadá. Mas, quando o mestre avisou que teríamos um "batizado" pra pegar o cordão e que ia ser no sábado de manhã, no calçadão da cidade, eu desisti. Era tímida demais pra exibir minhas piruetas mal executadas em praça pública.

Quando eu já era "adulta" e tinha menos de 21 anos, minha mãe e eu nos matriculamos na Yoga. Foram tempos feliz. Fiquei zen, lia todos os textos sobre o assunto, comprava revistas especializadas em Yoga, meditava quando sobrava um tempinho, comia melhor, respirava melhor e procurava cursos pra me formar instrutora. Sim, eu tinha decidido minha vida, era isso que eu queria, armonizar mente e espírito, entoar mantras, aperfeiçoar meus asanas e passar tudo isso a diante. Fiquei um ano frequentando as aulas, até que um dia meu espírito se enfureceu e eu não consegui me equilibrar, nem respirando profundo, e mandei a dona do espaço pro inferno. Não fui mais, nunca mais. Mas ainda pratico alguns dos exercíos em casa, e isso é o bom da Yoga, não é preciso aula nem professor.

Agora que sou uma mulher casada e minha mãe não apita mais minha vida (quer dizer, mais ou menos né) eu resolvi correr. Ah sim, porque dispensa matrículas, não paga mensalidade e não tem horário. Já faz 2 semanas que comecei meu programa de corrida, estou firme, e mesmo com o frio insuportável não deixei de treinar um dia sequer. Volto pra casa com a cara vermelha, a boca rachada e feliz. Que minha mãe não ouça, mas assim que fizer calor vou comprar um daqueles shorts de corrida e um tênis dos bons!

Dessa vez tem que dar certo, mas se não der eu já vou pensando a próxima alternativa,
luta livre, tênis, surf...

3 comentários:

amända. disse...

hehe eu fiz um tempão de karate. ate participei de apresentações públicas e uns torneios, nunca ganhei nada, e nem me esforçava. ia pra poder viajar em grupo e etc.
quando conto, ninguem acredita, mas eu fiz até a faixa verde de karate (branca - amarela - vermelha - laranja - verde). tenho todos os certificados pra provar. hehe
eu gostava, muito. e fiquei triste quando o professor desapareceu - ele era de outra cidade - e tivemos que aposentar nossos kimonos.

depois disso eu nunca mais fiz nada. teve uma epoca que todas as meninas da minha rua estavam entrando em aulas de street dance, mas eu nunca tive vontade.

em maringa eu sempre corria, quer dizer, caminhava né, porque correr eu so corria uns 3 minutos. hehe ia sempre no grevas, de tardzinha. eu morava pertinho de lá.
outra coisa que eu conto e ninguem acredita, SIM há pessoas que vão no grevas só pra se exercitar. hehe

uma coisa que eu sempre tive vontade de fazer é boxe. eu adoro. morro de vontade de ficar pulandinho, e socar e dar chutes e golpes e tal. tenho MUITA VONTADE MESMO. quando achar um lugar que dÊ aulas de boxe - e não de naoseioquela fight, bem tosco - eu entro.

e boa sorte com suas corridas, lê!
é um passo a frente, fazer exercicios, ter ânimo e incentivo.
não para não, vai ser ótimo!
;****

disse...

lembrei agora de um dia que a gente voltou correndo da caminhada com desinteria...
hahahahaha
:)

amända. disse...

(haha tipo, POSTEI nos seus comentarios né? hahahaha)